Mostrar mensagens com a etiqueta quarto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta quarto. Mostrar todas as mensagens

30 de setembro de 2009

O amor da minha vida

Fugiu. E eu continuo que nem uma criança a correr pelo bairro e a pôr-me por baixo do parapeito da tua janela, a espreitar com cuidado quando oiço a porta do quarto bater, para olhar para ti durante fracções de segundos, mesmo que vás só buscar uma coisa que te esqueceste em cima da cama. E quando sei que não estás faço o mesmo - olho para o espaço vazio e desarrumado e de repente, como fantasmas, aparecemos nós, emaranhados um no outro, ou tu com a cabeça no meu colo enquanto te rebento borbulhas, ou a beijares-me alienado um braço ou o pescoço enquanto vemos um filme. Também te revejo concentrado em livros, de tronco nu, comigo ao colo a dar-te mimos. E tu a ignorares-me, uma indiferença querida e despropositada, apaixonada quero eu dizer, ameninada.
É isso que me aparece à frente, como uma realidade paralela, fantasmagórica, enquanto olho o teu quarto e tu não estás. Como pelicula de um filme antigo, numa sequência cronologicamente alternada, nós a rodarmos num cinema imaginário.
Acordo para a vida quando o sino da igreja toca e sei que são horas de jantar. Por essa altura a minha mãe está furiosa comigo porque estou atrasada, mas o filme acabou tarde e não sou eu que decido essas coisas - digo-lhe eu.

16 de dezembro de 2008

Smells

Assusta-me o valor do passado a pesar nas decisões do futuro. Tenho medo de um dia vacilar e retroceder para as cores mais claras no fuso cromático da vida, mas depois, quando olho para o meu quarto só me apetece avançar, avançar... Sabes, nunca percebi o que é que me prendeu a ti tão depressa e durante tantos anos e o que é que me faz ter medo de atirar no lixo o esqueleto que tenho no armário (és tu). É como se o meu quarto ainda cheirasse a ti, até eu mesma; este aroma doce, seco, viciante que não quer sair e eu não tenho coragem de expulsar. Já arrastei mil velas, mil incensos (e tu sabes quais foram), mas nenhum é mais forte que o teu - sinto-os a dissiparem-se ao poder do teu.
Continua a haver uma incógnita nesta equação, e nenhum de nós sabe qual é.

15 de novembro de 2008

Crossed Roads

Não venhas. Não venhas para mim nesse passo apressado que eu tenho medo que tropeces um dia. E quero ter a certeza que cais redondo e firme no meus braços, sem um único deslize. Não venhas para mim nesse passo apressado, não venhas porque eu prometo meter o coração ao pescoço, preso com uma corda, para nao se perder, se abrandares esse passo perigoso.
Não venhas por favor, são mil anos que eu espero, são cinco milénios se for preciso - é o tempo que quiseres porque mereces todo o que há no mundo. E enquanto espero é o tempo que demora a adoçar estas lágrimas tão vermelhas do sangue que me corre nas veias e tão amargas do ódio que me consome a alma, quase no mesmo passo com que tu corres para mim.
Não venhas. Não venhas nesse passo apressado que eu não tenho tempo para apagar a marca que o erro me deixou na cama cá de casa, não venhas que os lençóis demoram a secar; não venhas com medo que a música acabe, que ela ainda agora começou.
Eu estou aqui, amor, uma morte inteira à tua espera. Que me tomes nos braços e me ames como outrora, com a intensidade ridícula de um sadismo quase hipócrita.
Não venhas. Não venhas para mim nesse passo apressado que tenho medo de ti. Meu amor.