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18 de setembro de 2009

Ontem, quando me tocaste com os olhos, senti-me sem alma, como se tivesses arracado um bocado de mim. Hoje, penso que o dia de ontem foi inútil.
Todos os dias, enquanto faço as malas para o mundo lembro-me de ti, mas depois algo me diz que não posso e não devo fazê-lo, e que o que preciso é de desfazer-me das recordações, porque os meus velhos sapatos pretos e as minhas unhas vermelhas valem muito mais que tu.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, há alguém com vontade de me matar e de te ver ao mesmo tempo, porque todos nós temos uma vida paralela e a tua chama-se pinga-amor.
A vida nem sempre é justa, e a minha está a milhas disso, mas dar a volta por cima dos problemas acaba por ser um ajuste de contas, e tu és o meu ajuste de contas. Mesmo que não sejas o mais correcto o meu coração grita por ti e bate-me no peito cada vez que te vejo, para ver se o deixo sair e partir com o teu. O meu problema é ser cautelosa de mais, apesar de me ter entregue a ti sem deixar nem um bocadinho para outro homem, há uma coisa que eu só posso entregar uma vez: o meu coração; e esse já tu tens.

16 de Agosto de 2007

16 de dezembro de 2008

Smells

Assusta-me o valor do passado a pesar nas decisões do futuro. Tenho medo de um dia vacilar e retroceder para as cores mais claras no fuso cromático da vida, mas depois, quando olho para o meu quarto só me apetece avançar, avançar... Sabes, nunca percebi o que é que me prendeu a ti tão depressa e durante tantos anos e o que é que me faz ter medo de atirar no lixo o esqueleto que tenho no armário (és tu). É como se o meu quarto ainda cheirasse a ti, até eu mesma; este aroma doce, seco, viciante que não quer sair e eu não tenho coragem de expulsar. Já arrastei mil velas, mil incensos (e tu sabes quais foram), mas nenhum é mais forte que o teu - sinto-os a dissiparem-se ao poder do teu.
Continua a haver uma incógnita nesta equação, e nenhum de nós sabe qual é.

11 de dezembro de 2008

Vícios

Decidi eliminar a brancura das folhas com rabiscos furiosos de quem espera um futuro que teima em estar longe, mas não, não há ideias fantásticas e a cor azul da caneta já é tão banal que enjoa.
Depois, sentei-me na cama e comecei a pensar na vida (qual vida?!) e aí é que foi ver as emoções cairem-me no colo como gotas de chuva, qual noite de tempestade. Quando abri os olhos estavas tu, a carregar de porpúrinas o meu olhar com o teu. Azul, sereno, brilhante.
E foi um vício que me cravaste, maior que o da ruleta russa a que eu jogava todos os dias, no casino da vida. Era ver-me todos os dias a ansiar pelo anúncio da noite, só para fechar os olhos e cair nessa tempestade que cessava de cada vez que os abria e te via como uma assombração que me roubava as ilusões.

3 de dezembro de 2008

Stronger, closer

E quando um sorriso quebra, a única solução é virar as costas e fechar os olhos. E se chorar, é baixinho, mas mesmo assim acho difícil. Não quero ouvir palavras sem sentido, as frases feitas já não me confortam. O que eu gosto é de te cair bruscamente nos braços, sem quês nem porquês, e deitar-me no soalho, a ouvir ranger a madeira enroscada em ti. Confundir o teu cheiro no intenso do tabaco e o teu sabor no amargo do whiskey, a perder-se no meu.
I'll be commin' home soon, to your love, to stay.