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15 de abril de 2010

Tenho medo de acabar comigo. Comigo e com este guardião de recordações em que se tornou o meu coração. Às vezes vem-me à memória a dor dos mil sofrimentos por que passei e receio não saber onde pertenço. Debato-me, entro em pânico, desespero por respostas, e finalmente abato-me, frágil, sobre esta mágoa eterna.
O ânimo regressa em poucos minutos, quando me lembro porque é que me apaixonei por ti. Depois, conformo-me com este medo patente de te perder, aceito esta minha doença de te amar, e liberto-me de velhos pesares.
As mãos implacáveis na minha cintura, o peito arquejante contra o meu corpo, um toque fugaz nas pernas, o estalar seco da madeira, a paixão atenuante, o silêncio vazio de um quarto - e sei agora onde pertenço, amor.

15 de novembro de 2008

Crossed Roads

Não venhas. Não venhas para mim nesse passo apressado que eu tenho medo que tropeces um dia. E quero ter a certeza que cais redondo e firme no meus braços, sem um único deslize. Não venhas para mim nesse passo apressado, não venhas porque eu prometo meter o coração ao pescoço, preso com uma corda, para nao se perder, se abrandares esse passo perigoso.
Não venhas por favor, são mil anos que eu espero, são cinco milénios se for preciso - é o tempo que quiseres porque mereces todo o que há no mundo. E enquanto espero é o tempo que demora a adoçar estas lágrimas tão vermelhas do sangue que me corre nas veias e tão amargas do ódio que me consome a alma, quase no mesmo passo com que tu corres para mim.
Não venhas. Não venhas nesse passo apressado que eu não tenho tempo para apagar a marca que o erro me deixou na cama cá de casa, não venhas que os lençóis demoram a secar; não venhas com medo que a música acabe, que ela ainda agora começou.
Eu estou aqui, amor, uma morte inteira à tua espera. Que me tomes nos braços e me ames como outrora, com a intensidade ridícula de um sadismo quase hipócrita.
Não venhas. Não venhas para mim nesse passo apressado que tenho medo de ti. Meu amor.