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18 de setembro de 2009

Ontem, quando me tocaste com os olhos, senti-me sem alma, como se tivesses arracado um bocado de mim. Hoje, penso que o dia de ontem foi inútil.
Todos os dias, enquanto faço as malas para o mundo lembro-me de ti, mas depois algo me diz que não posso e não devo fazê-lo, e que o que preciso é de desfazer-me das recordações, porque os meus velhos sapatos pretos e as minhas unhas vermelhas valem muito mais que tu.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, há alguém com vontade de me matar e de te ver ao mesmo tempo, porque todos nós temos uma vida paralela e a tua chama-se pinga-amor.
A vida nem sempre é justa, e a minha está a milhas disso, mas dar a volta por cima dos problemas acaba por ser um ajuste de contas, e tu és o meu ajuste de contas. Mesmo que não sejas o mais correcto o meu coração grita por ti e bate-me no peito cada vez que te vejo, para ver se o deixo sair e partir com o teu. O meu problema é ser cautelosa de mais, apesar de me ter entregue a ti sem deixar nem um bocadinho para outro homem, há uma coisa que eu só posso entregar uma vez: o meu coração; e esse já tu tens.

16 de Agosto de 2007

8 de agosto de 2009

Nenhum homem me agarra como tu, nenhum me beija como tu, nenhum faz amor comigo como tu. Era isso que querias ouvir?! Conheço as tuas mãos no meu corpo a milhas de distância, e não há repulsa em mim que não cresça das entranhas até à boca só de pensar que outro ser me possui. É inevitável entregar-me aos braços de alguém sem ter o teu nome no pensamento, o teu corpo impregnado no meu, uma sublime submissão ao Deus dará. Um irracional desejo, que me arde as visceras de ciúme, de pertença, de tudo o que poderes imaginar. Um sentimento tão paradoxal quanto nós, revisto em analepse todos os dias que me entrego a ti numa utopia doente, carregada de tragédia, como eu gosto e me faz sentir plena.
Acalma esta revolução interior de musculos e emoções, fisicamente psicológica, protegida ao abrigo de uma relação destructiva e deliciosa, da qual vivo e respiro. E me transponho para outro nível.

30 de julho de 2009

Abre-se frente às portadas uma Coimbra encantada, muito cheia de vidas, de histórias e de História. Nós somos só mais dois a deixar legado, para depois passar testemunho e, os próximos que vierem, pensarem "quantos amantes antes de nós já aqui consumaram a plenitude da paixão?". E é disto que esta cidade vive: de amores, de perdições, delírios e paixões. De pena, de mágoa, de todas as incertezas mágicas sobre quem e por onde já aqui passou.
Uma brisa fresca balança os cortinados de duas janelas gigantes, ao sabor da nossa respiração; o pano entra no quarto e sai, como se espreitasse impaciente, olhando por nós na certeza de um desejo e na ânsia de uma investida. O rio atento perde-se na infinidade de uma corrente plena de calma, como sempre nos recebe.
Em sinal de aviso suspiramos os dois, braços abertos ao que aí vier. "Não demores muito tempo, amor - penso eu - que o tempo é precioso neste lugar, que não espera por ninguém porque está lotado de mais gente como nós, mas sem medo de arriscar". E como se me ouvisses pensar voltas a suspirar, e eu começo, inconscientemente, a sentir o teu coração no meu peito, as tuas mãos nas minhas, no meu corpo, na minha mente.
Lembro-me de te ver levantar decidido e investires sobre mim. Também me lembro do resto, mas isso ficou no segredo de quatro paredes de uma casa em Coimbra: para outros dois amantes se perguntarem o que se passou aqui, quando nós sairmos.

P.S.: A foto não é minha, mas também não sei de quem é. E estou em Coimbra, for my sake.