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19 de setembro de 2009

Esquecer e nunca mais lembrar são coisas diferentes. Uma pessoa que esquece não volta a falar no assunto nem diz "ah sim já me lembro!". O que tu fizeste é nunca mais te lembrares, ou pelo menos tentas, nessa batalha helenica constante onde és combatido e combatente.
Não me venhas é com histórias que já esqueceste tudo, que uma cama desfeita em benifício do amor já não te diz nada e que a carpete do teu quarto já não está manchada pelas nossas lágrimas, derramadas em prol de remorsos, confortos, máguas e ressentimentos. Não me venhas com histórias que a televisão do teu quarto deixou de estar sempre no mesmo canal, que o cadeirão não é berço de nenhuma paixão, que não te consola e não te lava a alma cada vez que te sentas nele e relembras um peso cabisbaixo ao teu colo, à espera de ser mimado. Não me venhas com histórias que te esqueceste da minha bochecha vermelha depois de uma noite deitada no teu peito, porque também eu não me esqueci do teu braço perdido, envolto no meu tronco, a segurança do meu grandioso estado de graça. Nem de quando abria os olhos e me revia, quase numa terceira pessoa e de outro ângulo, imersa em todo o teu ser, tu. Perdida em pormenores, de braços entrelaçados, tu de olhos fechados, concentrada no teu peito a subir e descer, ao sabor de uma respiração tranquila, na paz de um amor verdadeiro.
Não te admito que digas que já esqueceste o cheiro da minha pele, que tanto gostavas, e de me percorreres o corpo com o nariz, como se quisesses desesperadamente reter para sempre o aroma que te movia; pois também eu, ainda hoje, volta e meia encontro em recantos o cheiro da tua roupa e do teu shampoo, num corpo qualquer, de influência zero. O teu corpo nu, desenhado na subtileza de uma lua, agarrado ao meu - nem um nem outro esquecemos.
Não me venhas com histórias, estúpido, que tu não esqueceste foi nada.

30 de julho de 2009

Abre-se frente às portadas uma Coimbra encantada, muito cheia de vidas, de histórias e de História. Nós somos só mais dois a deixar legado, para depois passar testemunho e, os próximos que vierem, pensarem "quantos amantes antes de nós já aqui consumaram a plenitude da paixão?". E é disto que esta cidade vive: de amores, de perdições, delírios e paixões. De pena, de mágoa, de todas as incertezas mágicas sobre quem e por onde já aqui passou.
Uma brisa fresca balança os cortinados de duas janelas gigantes, ao sabor da nossa respiração; o pano entra no quarto e sai, como se espreitasse impaciente, olhando por nós na certeza de um desejo e na ânsia de uma investida. O rio atento perde-se na infinidade de uma corrente plena de calma, como sempre nos recebe.
Em sinal de aviso suspiramos os dois, braços abertos ao que aí vier. "Não demores muito tempo, amor - penso eu - que o tempo é precioso neste lugar, que não espera por ninguém porque está lotado de mais gente como nós, mas sem medo de arriscar". E como se me ouvisses pensar voltas a suspirar, e eu começo, inconscientemente, a sentir o teu coração no meu peito, as tuas mãos nas minhas, no meu corpo, na minha mente.
Lembro-me de te ver levantar decidido e investires sobre mim. Também me lembro do resto, mas isso ficou no segredo de quatro paredes de uma casa em Coimbra: para outros dois amantes se perguntarem o que se passou aqui, quando nós sairmos.

P.S.: A foto não é minha, mas também não sei de quem é. E estou em Coimbra, for my sake.