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21 de agosto de 2009

"Tu és as vagas da minha tempestade, a minha loucura. Este fogo que vem de dentro e me incendeia as entranhas."
Alves dos Reis, Um seu Criado

Não resisti. É a melhor frase desta série.

8 de junho de 2009

Não sei o que é que se passa comigo, às vezes tenho medo de vir aqui. Acho que estou num periodo interrupto de criação, com um qualquer nevoeiro cerrado a atravessar-me a mente. Começo a achar-me doentia, só sei escrever com um turbilhão de ideias desordenadas a pairar sobre a minha cabeça. De repente a tempestade acalma, o mar revolto alivia tensão, e, como por magia, as emoções voltam à prateleira, num rodopio frenético até chegarem ao sítio certo.
Até que fica tudo tão sossegado que quase consigo ouvir a chama em combustão que me percorre a alma. Uma quietude desinquentante, um compasso descontrolado.
Acho que não me faz bem gostar tanto de ti, amor.

11 de dezembro de 2008

Vícios

Decidi eliminar a brancura das folhas com rabiscos furiosos de quem espera um futuro que teima em estar longe, mas não, não há ideias fantásticas e a cor azul da caneta já é tão banal que enjoa.
Depois, sentei-me na cama e comecei a pensar na vida (qual vida?!) e aí é que foi ver as emoções cairem-me no colo como gotas de chuva, qual noite de tempestade. Quando abri os olhos estavas tu, a carregar de porpúrinas o meu olhar com o teu. Azul, sereno, brilhante.
E foi um vício que me cravaste, maior que o da ruleta russa a que eu jogava todos os dias, no casino da vida. Era ver-me todos os dias a ansiar pelo anúncio da noite, só para fechar os olhos e cair nessa tempestade que cessava de cada vez que os abria e te via como uma assombração que me roubava as ilusões.