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7 de outubro de 2009

É fácil perder os sentidos, cair de joelhos aos teus pés, desfazer-me em desculpas inúteis e carregar a culpa de tudo o que (não) fiz de mal. Implorar-te tornou-se um gesto banal e é vão aos teus olhos porque tudo o que é trivial te cansa, sempre foste assim. E eu sei que se hoje somos dois estranhos é porque continuas a mesma criança impaciente, que só está bem onde não está. Nem encontro palavras para te descrever, por seres tanta coisa ao mesmo tempo, e se os segundos são poucos... Era bom que escolhesses apenas um defeito para teres, não gosto de te ver carregado de conotações, que ainda por cima me vêm dar trabalho é a mim.
Acabaste por te tornar um monstro que eu amo de dentro para fora, um sentimento latente com o qual aprendi a viver sem que interferisse no meu dia-a-dia. Já não me constrange olhar para as paredes contra às quais me beijaste há muito tempo, nem pisar o chão no qual me ajoelhei por ti. As palavras que te disse repito-as sem embaraço, e as camisolas que me arrancaste violentamente do corpo já não cheiram a ti, por isso uso-as sem pensar que existes. Não me apetece organizar fotografias, nem faço questão de as ter, só não me apetece apagá-las; rasguei o diário, queimei as cartas e fechei a porta. Só que ainda te amo.

11 de dezembro de 2008

Vícios

Decidi eliminar a brancura das folhas com rabiscos furiosos de quem espera um futuro que teima em estar longe, mas não, não há ideias fantásticas e a cor azul da caneta já é tão banal que enjoa.
Depois, sentei-me na cama e comecei a pensar na vida (qual vida?!) e aí é que foi ver as emoções cairem-me no colo como gotas de chuva, qual noite de tempestade. Quando abri os olhos estavas tu, a carregar de porpúrinas o meu olhar com o teu. Azul, sereno, brilhante.
E foi um vício que me cravaste, maior que o da ruleta russa a que eu jogava todos os dias, no casino da vida. Era ver-me todos os dias a ansiar pelo anúncio da noite, só para fechar os olhos e cair nessa tempestade que cessava de cada vez que os abria e te via como uma assombração que me roubava as ilusões.