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29 de junho de 2009

Saio do quarto abafado sem rumo, pelo corredor fora, e decido virar na segunda à direita. Dispo-me. A pele colada sobre si mesma, algumas gotas de suor escorrem indecisas costas abaixo. Olho para o espelho e vejo uma cara que não conheço - imaginava-me de outra maneira, não sei se pior ou melhor. Ligo somente a torneira da água fria. Cada movimento é acompanhado de um turbilhão de pensamentos. Ponho primeiro a ponta do pé direito, firme no tapete enrrugado. Os dois lá dentro e a água vai-me fazendo festinhas. Sinto-me plena.
Projecto a cabeça para trás e deixo-me inundar pela àgua que sai agora do chuveiro. Não me dou ao trabalho de suster a respiração, de fechar os olhos nem tenho cuidado com os ouvidos. Sinto a água invandir-me as narinas, numa corrida desenfreada até à garganta, onde parece mais quente. Uma sensação de afogamento. Os olhos ardem e eu sem coragem de os fechar. Doí-me a alma.
Penso numa forma evasiva de te expulsar de mim e da minha cama; sei que ainda lá estás à espera de mais. Não me apetece.
A água fria, os olhos latejantes, o gorgolejar da água na garganta, uma banheira tão vazia quanto a casa de banho. Um orgulho ferido, uma cicatriz no coração. A forma evasiva, tu no quarto.
Sai, por favor.

8 de junho de 2009

Não sei o que é que se passa comigo, às vezes tenho medo de vir aqui. Acho que estou num periodo interrupto de criação, com um qualquer nevoeiro cerrado a atravessar-me a mente. Começo a achar-me doentia, só sei escrever com um turbilhão de ideias desordenadas a pairar sobre a minha cabeça. De repente a tempestade acalma, o mar revolto alivia tensão, e, como por magia, as emoções voltam à prateleira, num rodopio frenético até chegarem ao sítio certo.
Até que fica tudo tão sossegado que quase consigo ouvir a chama em combustão que me percorre a alma. Uma quietude desinquentante, um compasso descontrolado.
Acho que não me faz bem gostar tanto de ti, amor.