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12 de dezembro de 2008

2006


Estou a arder. Um ardor febril, doentio, hipócrita, patético. Gritar, só, não chega - é preciso rasgar, arranhar, destruir também. Dói-me a carne que feriste de prazer, a marca das tuas unhas nas minhas costas; o cheiro mórbido do sexo na pele.
Ainda te oiço gemer nas encostas do pecado, ainda sinto o suor alagar-nos, os espamos incontrolados do corpo, o contrair inevitável dos músculos. E depois, o explodir, o alívio aliviado. Tudo a evaporar-se num fumo branco à minha frente.
Tomar um banho para atenuar o calor, para me limpar do nojo do nosso amor, o que teima em não abalar de nenhum de nós. Não me importo, juro que não me importo, de continuar escrava da nossa paixão, mas não negues, nunca, aquilo que sabes não poder esquecer. Podes cuspir as vezes que quiseres, mas não negues, por favor não negues, que o meu travo amargo nunca te sai da saliva. Se é doença, então vive da doença. Aceita, é crónico, feio, demente, poderoso e persistente. Somos nós, merda, somos nós.


Lost inside my sick head
I live for you but I'm not alive

Take my hand before I kill
I still love you, but I still burn
Love, Hate, Love - Alice in Chains

4 de dezembro de 2008

Rainning Winter

É Inverno a valer. Nesta altura a chuva queima e o sol congela.
O fumo de um cigarro já não se perde no ar leve do Verão, arrasta-se sim, pelas ruas acima, com o nevoeiro que pesa na atmosfera. É uma perseguição incessante, que só termina a sua busca nos dias plenos de Primavera, quando o Mundo já está cansado de fugir e deixa de se importar com os fantasmas que lhe correm atrás (para além do fumo).
Adoro o barulho de chapa que os pés fazem ao baterem, furiosos, nas poças de água. Hoje cheguei a casa mergulhada numa melancolia infindável, com o barulho do roçar das pernas uma na outra; cheguei no desconforto de um casacão preto e de uma mochila atulhada de trabalho. É todos os dias assim, mas às vezes custa menos - quando a ânsia de um dia que nunca mais chega não vem comigo até casa e me entra no hall sem pedir licença. Há força para enfrentar e vontade também, mas estou cansada. Dói não saber onde dói, ouvir as gotas baterem no telhado cá de casa, sentir quase furado o tecto que eu sei que me vai abrigar sempre. Mas no meio da chuva latejante eu ainda consigo distinguir a tua voz.