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16 de fevereiro de 2011

Somos doentes.

Podia ser perigoso este pulsar descontrolado - e é - de tal forma que te arranhas e sufocas cada vez que me sentes chegar. Finges-te surpreso e atrapalhado, desvias o olhar para o portão numa suplica interna para que vire costas e saia, mas esqueces-te das marcas no pescoço, desse sangue a jorro peito abaixo. Engoles em seco, como que assentindo a minha imposição calada e mandas-me subir.
Sustento-me a meio do corredor nessa cama desfeita, nesse cheiro fétido de outra. Contorço ligeiramente o pescoço, sadismo latente e imploras perdão. Mentiras. Acorda de vez para mim, ordeno-te - não tens o direito de não obedecer a este amor tão loucamente doce, tão estranhamente psicótico.
Não sejas patético, nós somos doentes. Há carne entre nós, vísceras. Há ódio e obsessão, domínio, perversão. Há catástrofe em cada ofegar. Tudo queima e arde, tudo morre.


7 de junho de 2010

Doença


Eu amo-te desta maneira toda descontrolada que me mete doente e me desvia do caminho. Tenho pressa de te chegar não sei onde e então esqueço-me do mundo lá fora para me perder no embrulho que as nossas pernas fazem debaixo dos lençóis da cama. O branco do quarto envergonha-se de nós, mas continuamos neste vaivém sincronizado, horas a fio, até os nossos corpos não terem nem mais uma gota de suor para largar e os músculos, contraídos, se torcerem em dores lacerantes.
E é nesta doce agonia que consigo ver a alma abandonar-me o corpo, para se abrigar nesse teu corpo infernal de espinhos e chagas abertas.

30 de outubro de 2009

Estou doente. Estou doente de ti e de mim. Doente de viver neste sadismo latente, de resistir aos teus empurrões constantes para depois me puxares outra vez com uma força atroz.
Doi-me o corpo de me bateres com as palavras que projectas em chamas, e com as pontas envenenadas. Estou tão doente que já não sei escrever sobre ti, nem sobre mim - já não sei escrever. Não consigo, de forma alguma, desatar o nó que dei no saco e sinto-me cheia, prestes a rebentar, com tudo entalado na garganta. Qualquer dia asfixio à tua conta e depois não chores, quando perceberes finalmente que, pela primeira vez na vida, eu sou um desejo perdido e sem retorno.
Sinto-me cansada, e é por isso que juro por Deus, ou por qualquer coisa que esteja acima de mim, que nunca mais te tento recuperar.
Três anos é demais, tem paciência.

12 de dezembro de 2008

2006


Estou a arder. Um ardor febril, doentio, hipócrita, patético. Gritar, só, não chega - é preciso rasgar, arranhar, destruir também. Dói-me a carne que feriste de prazer, a marca das tuas unhas nas minhas costas; o cheiro mórbido do sexo na pele.
Ainda te oiço gemer nas encostas do pecado, ainda sinto o suor alagar-nos, os espamos incontrolados do corpo, o contrair inevitável dos músculos. E depois, o explodir, o alívio aliviado. Tudo a evaporar-se num fumo branco à minha frente.
Tomar um banho para atenuar o calor, para me limpar do nojo do nosso amor, o que teima em não abalar de nenhum de nós. Não me importo, juro que não me importo, de continuar escrava da nossa paixão, mas não negues, nunca, aquilo que sabes não poder esquecer. Podes cuspir as vezes que quiseres, mas não negues, por favor não negues, que o meu travo amargo nunca te sai da saliva. Se é doença, então vive da doença. Aceita, é crónico, feio, demente, poderoso e persistente. Somos nós, merda, somos nós.


Lost inside my sick head
I live for you but I'm not alive

Take my hand before I kill
I still love you, but I still burn
Love, Hate, Love - Alice in Chains