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23 de outubro de 2010

A um génio.

Romance, who loves to nod and sing,
With drowsy head and folded wing,
Among the green leaves as they shake
Far down within some shadowy lake,
To me a painted paroquet
Hath been - a most familiar bird -
Taught me my alphabet to say -
To lisp my very earliest word
While in the wild wood I did lie,
A child - with a most knowing eye.

Of lat, eternal Condor years
So shake the very Heaven on high
With tumult as they thunder by,
I have no time for idle cares
Through gazing on the unquiet sky.
And when an hour with calmer wings
It's down upon my spirit flings -
That little time with lyre and rhyme
To while away - forbidden things!
My heart would feel to be a crime
Unless it trembled with the strings.

Edgar Allan Poe

Nascido em Boston no inicio do século XIX, Poe foi um escritor controverso, sendo que a sua obra inclui, na  maioria, temas mórbidos. Teve uma vida boémia que lhe causou alguns problemas e, devido aos seus discursos pouco coerentes, acabou por morrer envolto numa polémica relacionada com a causa do seu fim. Foi o poeta a quem Fernando Pessoa se dedicou traduzindo poemas seus ("O Corvo", por exemplo).



Só eu, só eu amei o amor dos meus enganos.

24 de novembro de 2008

Não abras mais essa porta



Senti a firmeza com que me agarraste nas mãos, um dia, desvanecer. Olhei, horrorizada, todos os sentimentos de pertença escorrerem-me, silenciosos, por entre os dedos, como a areia fina que pisaste comigo numa tarde de devaneios.
Vi o buraco fundo que cavaste - e foram três facadas no coração por cada memória que enterraste, furioso.
Doeu o desprezo, o pisar no chão, o cemitério da nossa paixão; doeu a chegada de um outro corpo, o bater forte das lembranças no piso duro da vida. Mas o que doeu mais foi ver-te sofrer pela mesma causa que eu, e a porta fechada na minha cara.





"E uma febre e um vácuo que há em mim
Confessa-me já morto... Palpo, em torno
Da minha alma, os fragmentos do meu ser
Com o hábito imortal de perscrutar-me."
Fernando Pessoa