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13 de julho de 2011

Extrémités lâches

Conheço bem essa doença em que te deixaste embalar e sei que o teu amor por mim é tão atroz que só me queres nessa zona de conforto-ilusão. Perdi a conta aos dias que fiquei parada, a amar-te só, até entender, finalmente, que o que nos une é apenas uma patologia venenosa e fatal.
Hoje deixei de querer entender-te porque tudo em nós é demasiado vago e letal. Ameacei várias vezes essa pré-imagem que concebeste da minha alma e que durante tantos anos consumiste, mas cansei, de verdade, de ser esse ser inanimado nas tuas mãos. 
Dei-me muito (dei-me demais) a emoções que não eram minhas, até que descobri que era exactamente essa a minha fragilidade: a insensatez de outro, um outro... Revestir o meu corpo com o suor, o ofegar, a febre de outro não era aquilo que precisava para te perpetuar.
Finalmente, precisei apenas de um copo de vinho e um cigarro mal apagado para eternizar a chama em mim e nunca deixar fugir a paixão de ti. Encontrei, de costas para mim, esse olhar discreto que às vezes se cruza com o meu e descubro, nesse mesmo instante, a vergonha com que ele se lança a mim. Afinal não fui eu que errei - estás fora do meu campo de visão, enfim. 

Estradas do Alentejo 2007

29 de abril de 2010

F♥

We'll do it, we'll do it good. We'll do it easily, unsuspecting and rough. We'll do it like a million times if you want to; and the violence inside the two of us will turn in some kind of hard passion, difficult to reduce, impossible to quantify, too sick to throw away. Tasty to our hearts, heavy in our souls, painful between every damn touch.
I love you, I love you - you're my disease and my healing.