Achei-me vagamente, algures nesse teu meio sorriso. Olhar fixo e doçura inerente, não sei bem o que vês - tenho para mim que, perdido por esse corpo adentro estão tumultos desgarrados que te fazem contorcer à vista desarmada da minha pessoa.
Não posso olhar-te por dentro, como nem Blimunda fazia a Baltasar, posso entretanto tocar-te com a simplicidade de um carinho e o peso de uma perna sobre o colo.
Devagar lá me vais amando, tornando-me cada vez mais tua e, sem qualquer tipo de complexo que derive de uma mente mais conservadora, deixo-te entrar por minh’ alma dentro desacreditada nos esqueletos abandonados, às tantas, a uma qualquer esquina recôndita.
De Humanos que somos, há uma sombra que nos oculta a mesquinhez que nos é própria. De Humanos que somos, há um olhar ofuscante que afoga o desejo que nos consome. Por fim, de Humanos que somos, há um beijo que sobressalta aquilo que de mais puro reside em nós.
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| Fortaleza de Sagres (2011) |
