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26 de maio de 2011

Retratos Profundos

Achei-me vagamente, algures nesse teu meio sorriso. Olhar fixo e doçura inerente, não sei bem o que vês - tenho para mim que, perdido por esse corpo adentro estão tumultos desgarrados que te fazem contorcer à vista desarmada da minha pessoa.
Não posso olhar-te por dentro, como nem Blimunda fazia a Baltasar, posso entretanto tocar-te com a simplicidade de um carinho e o peso de uma perna sobre o colo.
Devagar lá me vais amando, tornando-me cada vez mais tua e, sem qualquer tipo de complexo que derive de uma mente mais conservadora, deixo-te entrar por minh’ alma dentro desacreditada nos esqueletos abandonados, às tantas, a uma qualquer esquina recôndita.
De Humanos que somos, há uma sombra que nos oculta a mesquinhez que nos é própria. De Humanos que somos, há um olhar ofuscante que afoga o desejo que nos consome. Por fim, de Humanos que somos, há um beijo que sobressalta aquilo que de mais puro reside em nós.

Fortaleza de Sagres (2011)

25 de dezembro de 2009

Não sei onde é que vou parar um dia às custas desta minha impulsividade nata, se fui eu que voei alto de mais e me tornei numa criança mimada quando descobri que nada do que construí era real, não sei. Se esta minha revolta e dificuldade em aceitar a vida tal como ela é, cheia de pedras e de armadilhas, é infantil, peço, antes mais nada, desculpa a quem eventualmente possa magoar.
Se eu fui assim tão irresponsável e irracional e se o preço que tenho a pagar por isso é este, prometo que vou abraçar os erros que cometi e aceitar as consequências sem protestar. Por enquanto ainda não tenho certezas de nada, nem sequer formulei hipóteses, mas é com um comportamento explosivo que presenteio todos aqueles que me desiludiram. Lamento muito que os meus ódios recaiam sobre quem mais gosto e que seja necessário dar este abanão ao mesmo tempo que recebo um, mas independentemente de tudo deixo claro que gostava, do fundo do coração, ter a capacidade de perdoar pormenores exíguos como este.
Apesar de alertada nunca tinha sentido o peso da vida nas costas, nunca tinha realmente pago nada do que fiz, de bom e de mal. Se é fácil? Mentira. É sobre-humano. Não é díficil, é sobre-humano.
Peço desculpa por não perdoar o perdoável.