8 de dezembro de 2009

Não me lembro quantos lances de escadas desci impetuosamente atrás de ti, ansiosa por te alcançar as costas e empurrar-te mortalmente para a frente. A última imagem que tenho são os teus olhos perdidos no infinito em que me tornei quando me transformei num monstro inconsciente e fulminante, com sede de morte e amor de tragédia.
Destrói-me a cada minuto o arrependimento que bate ao pensar naquilo que não me lembro de ter sentido. Agora corro para te ter, para te agarrar, e atiro-me eu escada abaixo se isso te salvar e se a minha morte te consolar. Sei que és vingativo e pragmático nas tuas promessas, sei que me amas tão incondicionalmente que nunca mais queres sentir o meu coração bater, que por ti eu era só mais um esqueleto enterrado a mil palmos de profundidade comido pelos bichos e desgastado pelos anos.
O nosso amor é ambivalente, ou então isto é mesmo assim. O amor até pode ser ódio, um lume aceso com lenha para arder eternamente, podemos ser nós, o amor. Pode não ser nada, e nesse caso nem sequer nos conhecemos.

3 comentários:

vieira calado disse...

Está bem escrito

mas é um pouco triste...

para o meu gosto.

Beijinho

Ana Tapadas disse...

Dias melhores virão, linda!
beijinho

APC disse...

Continuo fascinado com a tua escrita..é bela, muito bela.
Boas festas