O olhar ainda é o que nos mantém vivos,
é uma vida suspensa, em coma,
mas uma vida.
O nosso amor à cabeceira
espera pelo derradeiro momento:
ou acordamos,
ou morremos para sempre.
O que nos mantém vivos é o olhar,
esse momento egoísta de que não nos privamos.
O olhar é meu,
o outro é teu.
Os dois são fogo,
mas ainda assim egoísta.
Esse fio que nos conduz a parca vida que ainda sustemos.
Fragilmente,
aterradoramente,
desesperadamente;
O olhar ainda é o que nos mantém vivos.
Por quanto tempo?
Seremos um olhar para sempre?
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Lisboa, Café do Monte (Agosto 2013) |
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