22 de abril de 2009

Escolhi este poema infinitamente grande, e infinitamente bonito, não só por me carregar de emoção cada vez que o leio mas também porque acho que é uma das coisas que o nosso país tem de melhor. É o Pessoa!!


Passagem das Horas

(...)
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me fata escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência, 
Consanguinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contactos, sangue sob golpes, estremação aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cómoda e feliz
(...)
Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há-de ser de mim? Que há-de ser de mim?

Álvaro de Campos

3 comentários:

Ana Tapadas disse...

Pois é Sarita!
beijinho

Palha disse...

Ainda vais ser melhor q o Pessoa :P

vieira calado disse...

Pessoa é sem igual!

Bjs