Decidi eliminar a brancura das folhas com rabiscos furiosos de quem espera um futuro que teima em estar longe, mas não, não há ideias fantásticas e a cor azul da caneta já é tão banal que enjoa.
Depois, sentei-me na cama e comecei a pensar na vida (qual vida?!) e aí é que foi ver as emoções cairem-me no colo como gotas de chuva, qual noite de tempestade. Quando abri os olhos estavas tu, a carregar de porpúrinas o meu olhar com o teu. Azul, sereno, brilhante.
E foi um vício que me cravaste, maior que o da ruleta russa a que eu jogava todos os dias, no casino da vida. Era ver-me todos os dias a ansiar pelo anúncio da noite, só para fechar os olhos e cair nessa tempestade que cessava de cada vez que os abria e te via como uma assombração que me roubava as ilusões.
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